Sal no Scenarios Norte-Riograndenses 919230, de Amphiloquio Camara

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Sal no Scenarios Norte-Riograndenses 919230, de Amphiloquio Camara

E Valle 1937, arq. Helder Marques

E Valle 1937, arq. Helder Marques

Sal: Entre os minérios, o sal, pelo menos atualmente, é o de maior importância, dada a sua larga exploração industrial. É uma das fontes de riqueza do Estado, como um dos seus productos de maior exportação, ao lado do algodão e da cera de carnaúba. Por isso, seja permitido dizer alguma cosia a seu respeito. Os ricos terrenos de salinas no Rio Grande do Norte são conhecidos desde remotos annos, mas só a partir do século XIX começou a sua exploração. Todavia, foi nestes últimos trinta annos, que se affirmou a sua indústria, sendo-lhe hoje as salinas exploradas compensadoramente e de um modo mais aperfeiçoado. O  valor do seu sal tem sido patente em diversos exames chimicos, procedidos por especialistas, não só no Laboratório Nacional de Analyses do Rio de Janeiro, como no Laboratório de Analyses Chimicas do Estado de São Paulo. Uma única objecção tem sido levantada contra elle:  é a existência de  chloreto de magnésio em elevada proporção. Mas, já hoje, preparado por sistemas mais modernos e demoradamente guardado afim de que não observe nenhum signal de humidade, se obtém optimo producto – o sal beneficiado – cuja analyse chimica tem revelado, além de um mínimo de quase 98% de chloreto de sódio, pouco mais de 0,002 de chloreto de magnésio(5)Amphiloquio Camara Scenarios Norte Riograndenses 1923

Até mesmo nas grandes xarqueadas do Rio Grande tem sido elle empregado com satisfatório resultado. Pondo de lado a insufficiencia de transporte e os fretes pesadíssimos cobrados pelas companhias de navegação, surge com maior embaraço para o domínio desse producto nos mercados nacionaes, o exaggero do imposto federal em contraposição  ao imposto cobrado pelo governo do Estado, imposto este diminuído de 59% na actual administração do Sr. Dr. Antonio José de Mello e Souza. Imagine-se que do imposto total sobre tonelada, mais de dois terços são pagos á União, enquanto menos de um terço se destina ao Thesouro do Estado (6). O sal existe em abundância nos municípios de Macáu, Areia Branca, Mossoró, Canguaretama, São Gonçalo e Touros, principalmente nos quatro primeiros. Os municípios de Areia Branca (porto de mar) e de Mossoró (central) são limitrophes, como que o segundo uma continuação do primeiro. Por isso, as cifras que se seguem com relação ao sal, se referem aos dois municípios: número de salinas funcionando – 22, sendo enormes os terrenos que ainda podem ser aproveitados; produção anual – 300.000 toneladas, tendo, porém, capacidade para produzir muito mais ; média de exportação anual – 100.000 toneladas; quantidade actualmente em depósito – cerca de 200.000 toneladas; principaes proprietários de salinas – Miguel Faustino do Monte & Cia., Tertuliano Fernandes &  Cia., José da Cruz Cordeiro, Rodolpho Fernandes, Eufrasio de Oliveira, Antonio Florencio de Almeida, Francisco Fausto de Souza. Macáu produz metade dos municípios de Areia Branca e Mossoró, sendo seu sal muitíssimo afamado. Nesse município salina, que é a melhor do logar. Existem muitos outros proprietários.  O sal do Rio Grande do Norte na Exposição Nacional de 1908 obteve os melhores prêmios, o mesmo acontecendo agora na Exposição Internacional do Centenário, alcançando a municipalidade de Macáu e as firmas M.F. do Monte & Cia e T. Fernandes e & Cia., de Mossoró, grandes prêmios; a municipalidade de Areia Branca e o Dr. Eufrásio de Oliveira, diploma de hora, e os demais expositores medalhas de ouro.