Capitalismo, enfado e morte

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A entrevista de Daniel Fuentes Castro do El Diario com o autor do comentado livro “O Capital no século XXI”, pode ser lida na integra acessando:

http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Economia/Piketty-Estamos-a-beira-de-uma-grave-crise-politica-economica-e-financeira%0a/7/32284

Rius, p. 81

Rius, p. 81

Comento sobre o capitalismo e o que estudei sobre o assunto. Diz o Professor Thomaz Piketty que o embate não é capitalismo ou marxismo, pois há diferentes maneiras de organizar o capitalismo. É certo, pois a cada crise – que é sempre de excesso e não de falta – o capitalismo toma um novo folego. Mas, a cada crise, torna-se mais concentrado, dependente e parasitário, pois algumas leis, como, produção social e apropriação privada e a tendência a cair da taxa de lucro não mudam e nem podem mudar, pois são inerentes ao modo de produção.

Há mais de 200 anos o capitalismo promete vida com dignidade para todos. É o que promete, mas nada indica que poderá cumprir. É um modo de produção fantástico, que destampa forças que pensávamos mortas, mas precisa crescer sempre, concentrar sempre, absorver novos mercados produtores e consumidores, sem isso ele morre e com isso ele caminha para a morte, a sua e da humanidade.

Após a inclusão dos mercados consumidores e produtores dos ex-países comunistas da Europa e Ásia e agora com a China — milhões de produtores e consumidores sob o controle de uma espécie de capitalismo de Estado, resta pouco espaço para o crescimento extensivo. Então, busca-se o crescimento intensivo, ou a destruição de forças produtivas.  Fazer, destruir, fazer novamente e destruir novamente.

Já estamos na fase da destruição de forças produtivas: são eletrônicos e veículos que duram alguns meses e prédios relativamente novos implodidos para reprodução do capital. Aqui em Natal, o Hotel Tirol, o Machadão e o Aeroporto foram todos “implodidos” para o bem do capitalismo, ou de meia dúzia de burgueses. Não se trata de criticar o progresso, não, o problema é vida com dignidade para todos. Para todos.

De Claudio Guerra para o baú de Macau.