“Sepulcros caiados”

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sepulcros caiadosNão sou cristão, mas a imagem é significativa e o texto, belíssimo, está na Bíblia [Mateus, 23, 27, 28] e trata da hipocrisia. Por várias vezes, eu menino ia ao túmulo do meu avô e olhava aquele vasto campo de sepulcros caiados, brancos, irrepreensivelmente brancos onde restavam a carne apodrecida e os ossos descarnados de muitos homens maus.

Bastou que fosse levantada a pontinha do tapete onde a burguesia esconde suas trapaças para que a grande mídia saísse em defesa do sistema para afirmar que somos todos honestos. Não somos e sempre será mais comum um operário devolver uma carteira de dinheiro que achou na rua que um aprendiz de empresário fazê-lo. O capitalismo ao perseguir o lucro estimula o roubo, pois não há critérios: danem-se homens e natureza. Há exceções é claro e reporto ao texto na Folha de São Paulo de 21 de novembro passado do empresário Ricardo Semler, dono da Semler Partners, empresa localizada em São Paulo onde ele fala sobre cinismo e hipocrisia por ocasião do caso Petrobras/Operação Lava Jato. O empresário abre o artigo dizendo que “Nossa empresa deixou de vender equipamentos para a Petrobras nos anos 70. Era impossível vender diretamente sem propina”. É bom lembrar que nos 70 estávamos na ditadura que torturava e matava quem dissesse qualquer coisa contra o governo.

Pois bem, ao estimular a concorrência sem freios e limites o capitalismo torna o mundo cruel onde o “abraça o teu irmão” tem o sentido da esmola, alento para consciências torturadas  e nunca ato de amor. O capitalismo não leva em conta que não somos iguais. Por não sermos iguais é preciso que cada dê ou faça de acordo com sua capacidade para que todos, eu repito todos, recebam de acordo com sua necessidade, sem credores e devedores, mas apenas como resultado do amor, da solidariedade e da fraternidade entre os homens.

De Claudio Guerra para o baú de Macau