Práticas infames

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“Era um deboche enorme, era um festim devasso!

No palácio real brilhava a infame orgia

E até bebiam vinho os mármores do paço”.

“Ele”,  página 183 d’O livro de Cesário Verde [1855-1886]

 

O macauense Helder Marques — cuja família tem quase um século de luta por vida com dignidade para todos — das suas leituras e reflexões teceu importante artigo que o baú de Macau tem a satisfação de publicar. Helder  Marques, assim como todos os cidadãos honestos da nossa Macau quer apenas e tão somente que a lei seja republicanamente cumprida. Assim como ele, nós do baú de Macau também acreditamos que a justiça um dia alcançará aqueles que roubam o dinheiro do povo.

De Claudio Guerra para o baú de Macau

COMO PODEMOS ACREDITAR EM GESTORES E FISCALIZADORES DO POVO, SE SUAS PRÁTICAS SÃO OUTRAS.

Um texto de Helder Marques

 

Prefeitura Municipal de Macau, década 1970.

Prefeitura Municipal de Macau, década 1970.

Em tempos recentes, vendo e lendo algumas leis, fiquei um pouco decepcionado com a atuação de alguns gestores, vereadores e pessoas que se propõem a fazer parte de Conselhos Municipais, e que deveriam fiscalizar a coisa pública e não os fazem.

Por que digo isso? Porque a cada dia me deparo com posturas de “representantes do povo” que agem mais ou menos dessa forma: negociam cargos comissionados, contratos e outros benefícios para manter votos e acordos políticos. Eu até entendo que pode não se tratar de problema ou desonestidade por parte desses supostos fiscalizadores, mas nem tudo é tão simples assim. Pois, se agem como desonestos, podem naturalmente ser confundidos com eles.

Quando se trata de Cargos Comissionados, por exemplo, a maioria desses “acordos” são para pessoas que não trabalham pessoas que não moram na nossa cidade, “amigos” que fingem que trabalham. Ou seja, pessoas que recebem como Comissionados, com cargas horárias de 40 horas semanais, que trabalham em empresas locais ou em empresas de outras cidades, que não trabalham em lugar nenhum e ficam em casa recebendo sem trabalhar, que moram em Macau ou em outra cidade. Ou seja, quero deixar bem claro aqui que não sou contra a qualquer forma de oportunidade de emprego, mas que as pessoas recebam remuneração com dinheiro público, mas faça jus ao salário que ganham. Para mim, a pessoa pode até morar em outra cidade, mas que faça o trabalho que as funções de Cargo Comissionado exigem. Ninguém pode esquecer que se trata de dinheiro do povo!

Até quando os nossos Gestores, Vereadores e Conselheiros vão agir assim? Tenho dito repetidamente que a nossa Justiça demora, mas não tarda; que nossa Justiça é cega, mas gosta de ver à noite. Um dia veremos todos os que fazem essas manobras e artifícios, ilícitos ou não, serem responsabilizados pelo que estão fazendo. Todos pagarão pelo que estão fazendo e perceberão que determinadas práticas, que viabiliza os votos nas eleições de hoje, serão a causa de suas inelegibilidades.

A Lei de Responsabilidade Fiscal, a Lei de Acesso à Informação, a Lei da Ficha Limpa e, em breve, a Lei Anti Corrupção está municiando a sociedade para se defender contra esses malfeitores. Hoje, os Portais das Transparências já nos permitem ver, analisar e separar o joio do trigo! Não esqueçam: a punição é só questão de tempo! Se liguem!

 

Helder Marques