A oferta, a procura e o “paulocentrismo”

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Nossos irmãos haitianos em busca de uma vida melhor no Brasil.[acnur. org]

Nossos irmãos haitianos em busca de uma vida melhor no Brasil.[acnur. org]

Falo aqui em “burguesia paulista” apenas para situar, pois burguesia e trabalhador, como classes não cabem adjetivos. Chamo a atenção para o bom artigo na revista Caros Amigos 212 [11/14], do jornalista, sociólogo e escritor Gilberto Felisberto Vasconcelos que analisa o ideário paulista que chama de paulistocentrismo. Concordo com Vasconcelos e desde os setenta, talvez mesmo influenciado por Gunder Frank [1929-2005], que lia nos jornais da resistencia,  tenho comigo que o burguesia do sul e sudeste é que manda no Brasil e coloca o resto do povo brasileiro todinho para trabalhar para ela. É claro que ela obedece as ordens dos patrões imperialistas que levaram Getulio Vargas ao suicídio e respaldaram o golpe de 1964 e é claro que divide os lucros com os Capitães do Mato, antigos e modernos,  que se espalham por todo o Brasil para manter a “turba” no arroz, no feijão e no silêncio.

Ao redistribuir melhor a renda por todo o país, o governo do Partido dos Trabalhadores freou as migrações do norte e nordeste para o sul e sudeste que enfrenta agora uma pressão maior nos salários. A burguesia procura  baratear a mão de obra atraindo os haitianos que buscam uma vida melhor aqui no Brasil. Enfim, é a lei da oferta e procura, escamoteada no discurso neoliberal.

Os números do IDH comprovam o feito do Partido dos Trabalhadores, mas isso não quer dizer que vivemos no melhor dos mundos, pois a concentração da riqueza no Brasil aumentou como também o número dos ricos, ainda falta muito para distribuir melhor a renda  e todos terem vida com dignidade. Mas estamos avançando.

De Claudio Guerra para o baú de Macau