“São cruzes sem nome, sem corpos, sem data,”

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“São cruzes sem nome, sem corpos, sem data,

memórias de um tempo onde lutar por seu direito

é um defeito que mata…”

(Pequena memória sobre um tempo sem memória -Gonzaguinha)

 

Tortura e crime contra a humanidadeA Comissão Nacional da Verdade, instalada em maio de 2012, entrega relatório final em cerimônia oficial no Palácio do Planalto à presidenta Dilma Rousseff em 10/12. Criada através da lei 12528/2011 para apurar e esclarecer, indicando as circunstâncias e a autoria as graves violações de direitos humanos praticadas entre 1946 e 1988 (o período entre as duas últimas constituições democráticas brasileiras) conclui parte de seu compromisso com a ética e a História.

No início da década de 1970 o aparelho repressivo governamental passou a adotar meios ilegais de repressão política. Foram graves as violações de direitos humanos: as prisões sem base legal, a tortura e as mortes dela decorrentes, as violências sexuais, as execuções e as ocultações de cadáveres e desaparecimentos forçados. Praticadas de forma massiva e sistemática contra a população, essas violações tornam-se crime contra a humanidade. De acordo com o livro Direito à memória e à verdade, publicado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República durante o Governo Lula, 475 pessoas morreram ou desapareceram por motivos políticos naqueles anos.

…Mas eu não quero falar sobre o relatório final da CNV nesse momento, quero falar no engajamento da população sobre um tema estigmatizado pelo medo e sofrimento de milhares de pessoas. Onde esse tema foi e é abordado? Qual a participação da população através de seus grupos, entidades de classe e associações nesse trabalho, uma verdadeira batalha? Qual o reconhecimento desse trabalho pela sociedade civil?

Esse tema não teve espaço nem visibilidade nas reivindicações dos jovens e estudantes na revolta do busão, reivindicações pelo passe livre, marcha pela liberação da maconha,, e muito menos a participação consubstancial dessas categorias. Nunca identifiquei uma só faixa nos atos públicos que assolaram o pais fazendo referência a esse trabalho árduo e doloroso para aqueles que se dispuseram a abraça-lo. É uma luta de pessoas de meia-idade que perderam pais, filhos, amigos irmãos; são pessoas sensíveis, éticas, cidadãos brasileiros cujas feridas não cicatrizaram.

Me pergunto por que os jovens não se engajaram nessa luta. Culpa das escolas? Dos pais? Dos meios de comunicação? Não encontro respostas.

Nair Damasceno  [ndapaiva@yahoo.com.br]