Cinema e mídia:  o filme “A entrevista” e a manipulação

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Nos 50 os EUA exigiam tropas brasileiras para invadir a Coréia. Os macauenses foram contra.

Nos 50 os EUA exigiam tropas brasileiras para invadir a Coréia. Os macauenses foram contra.

Nos sessenta, íamos ao cinema nos domingos ávidos para ver o “lar doce lar” americano. Eram filmes de casas amplas e sem muros, um belo jardim, um gramado e uma esposa feliz que dirigia um automóvel “rabo de peixe”. Tudo era belo e funcionava bem. O macarthismo enquadrara o cinema americano. A chamada “guerra fria” prosseguia firme e forte.

Tenho dúvidas se a chamada “guerra fria” terminou um dia. Penso que não. E o episódio em torno do filme “A entrevista” parece me dar razão. O cinema sempre foi uma boa arma de propaganda. Nos cinquenta o cinema americano produziu filmes anticomunistas, inúmeros  como o “Casei-me com um comunista”, onde destroçava comunistas e simpatizantes.  A Sony Pictures retoma  agora a cantilena numa das maiores crises do capitalismo. Multinacional de capital japonês, a Sony  tem estúdios de cinema na Califórnia e é acionista da Metro-Goldwyn-Mayer e produziu este filme “A entrevista” onde debocha dos comunistas coreanos.

Nosso tempo é o da ocupação das mídias.  O filme “Avatar” gastou US$300 milhões na produção e US$150 milhões na divulgação. É um filme interessante. Penso que um filme desinteressante como “A entrevista” precisava mesmo de um grande empurrão na divulgação e a estratégia foi tomar nada menos que o presidente dos Estados Unidos como garoto-propaganda do filme. Enfim, é manipulação um tanto grosseira, mas deve dar certo.

 

De Claudio Guerra para o baú de Macau