O petróleo e a região de  Macau

0
Macau, Sonda 94, 1981, Foto: Claudio Guerra

Macau, Sonda 94, 1981, Foto: Claudio Guerra

É difícil estabelecer com segurança o peso econômico do petróleo na região de Macau. São inúmeras variáveis o que demandaria ampla pesquisa e análise equilibrada. Este não é meu propósito. Tratarei o assunto como observador, na região desde os oitenta, parte como chefe do setor de operações do Banco do Brasil e parte como pequeno empresário do setor de informática.

A Petrobrás aportou nos cinquenta quando fez as primeiras perfurações que logo em seguida foram abandonadas sem explicações convincentes. Depois, nos oitenta passou a ter um peso  enorme na economia quando retomou as prospecções e as perfurações, passando a extrair petróleo e instalando a refinaria Clara Camarão em Guamaré. E então, definitivamente Macau e região ficaram inseridas no comodities petróleo e oscilam de acordo com o mercado do produto.

Em que pese a má aplicação dos royalties pelas prefeituras da região e o problema social acirrado com a chegada das empresas, a população foi beneficiada de forma direta ou indireta pelos rendimentos do petróleo, mas hoje são milhares de macauenses – operários e pequenos empresários e suas famílias — sofrendo com a crise no setor.  É o capitalismo.

A diminuição do preço do barril do petróleo por algumas empresas cujo custo de produção é pequeno,  provocou um caos nas demais empresas cujo custo de produção é maior. Enfim, é a concorrência, é o capitalismo e suas leis e não há nada ilegal ou imoral. Para nós de Macau este é o fator externo, comandado pelas empresas instaladas na Arábia Saudita, com mil motivos para baixar o preço do barril de petróleo.

Quanto ao fator interno está em curso a chamada Operação Lava Jato que investiga o roubo na Petrobrás. A investigação,  acredito,  tem um verdadeiro sentido republicano e nos 125 anos da nossa  república é a primeira vez que isso acontece, ou seja, o Poder Executivo não interfere na investigação. Lamentável  é ver a postura entreguista — a mesma da década de 1950, quando da perfuração dos primeiros poços em Macau, Paraguaçu Paulista e outras cidades — dos arautos do mal que na verdade querem a destruição da Petrobrás. Muitos destes sacripantas  vem buscar votos em Macau.

De Claudio Guerra para o baú de Macau