Lourival Açucena; presença em Macau

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Henrique Castriciano presenca de Lourival em Macau

Presença do poeta Lourival Açucena em Macau

 

O livro [este e muitos outros] foi presente do amigo Professor Davi Medeiros, a quem agradeço a deferência e que além  de enriquecer a biblioteca do Baú de Macau,  nos permite conhecer um pouco mais do Rio Grande do Norte e especialmente de Natal.

É uma seleta de textos e poesias de Henrique Castriciano cuja seleção foi do Professor José Geraldo de Albuquerque do UFRN. A seleta é composta de 137 textos, dos quais destacamos o  90, publicado no Jornal A Republica (que  voltará a circular brevemente] edição de 20 de  julho de 1907.

Sob o título Lourival e seu tempo (VII)o autor destaca a passagem quase trágica do poeta por Macau.

“Em 1886, como os vencimentos da aposentadoria não lhes bastassem, acceitou o cargo de Administrador da Mesa de Rendas de Macau.

Foi uma idéia infeliz. Teve de acarretar com frequência dos seus erros, e o que peor, dos erros alheios. Processado e preso, recolheram-no à Fortaleza dos Reis Magos, onde devido à affeicção que lhe votava o respectivo commandante Manoel Lourenço, passou a vida milagrosa. Logo ao ser preso em Macau, o juiz de Direito, seu amigo – Lourival era amigo de todo mundo – apresentou-o ao capitão do navio em que embarcou para esta capital, dizendo-lhe pachorrentemente:

–O Sr. Lourival é um bom companheiro de viagem… O commandante acostumado a ouvir desde longos annos, quando lhe acontecia demorar em nosso porto, teve grandes phrases amáveis e terminou offerecendo-lhe a casa:

–Pode tomar conta do vapor”.    Página 239

 

“—Já ouviu Yayá?

Nas vésperas da eleição

Vão à casa do compadre,

Dão beijos no afilhado,

Rompem sedas á comadre…

E o pobre diabo

Entra na rascada

Tomando sopapos,

Servindo de escada.

Elles vão á Corte

E o compadre fica

Bebendo jucá

Ou doses de arnica

–Já ouviu Yayá?”

 

A poesia acima foi o meu primeiro contato com a obra de Lourival Açucena. Foi nos noventa através do livro Glosa Glosarum – fesceninos, organizado pelo  escritor e poeta Celso da Silveira, edição da Clima de 1981. Lembrei da poesia quando escrevia o meu primeiro romance, Ninguém para a Coréia que publiquei em 2008.  Abri o capitulo 20 com  Lourival Açucena onde ele fala da hipocrisia reinante à época e vigente até os dias de hoje.

De Claudio Guerra para o baú de Macau