Benito Barros e o Regurgitar dum Cacimbão

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Se vivo fosse Benito Barros completaria hoje 58 anos. Foi das pessoas mais solidarias e ternas  que conheci em toda a minha vida. Lúcido e sempre impaciente com os malfeitos de Macau ou de qualquer lugar do mundo, forjou uma forma de ser e viver única, espantando os espíritos vivos e mortos que lhe aperreavam  sempre se  impondo graças à sua estatura moral inabalável. Poeta e escritor,  soube tão bem expressar nossas ânsias e agonias nesse mundo de glórias vãs . Sempre recordarei Benito Barros e seu sorriso sincero e quase debochado diante das adversidades.

De Claudio Guerra para o baú de Macau

 

Requiem BBarrosDo livro Réquiem para o Infinito de Benito Barros, publicado em 2002

Regurgitar dum Cacimbão [pagina 13]

Cada vez é uma e, desta, exagero desmesurado: despotismo de presunção. Já disse: não dêem, engulo corda. Da ceguidão e do antojo expele-se: a alegria é caspenta. Pelejo franco pra soterrar de vez a tristura mas ela desenloca nesse melananto. Dos meus dares e tomares com a lucidez provêm esses sombrios frutos.requiem 2 bb

Caleidoscópio de perdas. Bruaca enxovalhada de insignificâncias medonhas. Feitio de ataúde. Inhaca de danação. Gosto de enxofrado.

Na verdade, na verdade mesmo, na mais pura verdade, este é só um escrevinhado lamurioso, um esquisito memento dum chama-maré – o vivente mais danado de saudadoso.