Chuva, uma poesia de Félix Contreras

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Poema de Félix Contreras  -

CHUVA

            Para Eduardo Gosson

 

Chove, chove, é bom que chova                                        Cage 15 via 2 Miro

para animais e plantas

e se refresque o planeta

e se apague a fetidez trepidante

que na esquina espanta

nativos e turistas.

 

Mas, chove em minha casa,

em minha solidão,

em minha roupa domingueira,

em meus papéis,

na rosa

e, como não dizer,

na brisa perfumada da tarde…

 

E chove ainda nos 87 degraus

da escada da academia do fingimento

(sim, isso mesmo)

com música de fundo e trapos do presente,

onde alunos aplicados

aprendem o código do novo viver.

 

            (Tradução de Horácio Paiva)