Rebeldes primitivos: O Cangaço

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Perto do chaoObra: Perto do Chão; Autor: Tulio Andrade

Projeto Reticências … – Editora Verborrágicos, 2014, Natal [RN], CDD 869.93, ISBN ausente.

O autor ficciona sobre o movimento dos cangaceiros em Mossoró no Rio Grande do Norte [1927]ao escrever a obra Perto do Chão com a narrativa da mãe que tem o filho recém nascido morto durante o episódio.

Dado a sua importância, o  assim chamado  cangaço  é tema para centenas de romances, monografias  e filmes  que retratam dos mais diferente ângulos o movimento. Para o historiador Eric Hobsbawn [1917-2012] autor de duas obras importantes sobre o assunto [Rebeldes Primitivos e Bandidos] o cangaço é um fenômeno do mundo rural , tendo como um dos objetivos defender os mais fracos frente a opressão dos mais fortes.

Bandido vem do Italiano bandito que significa “banido, afastado do convívio dos outros”, de bandire, “proscrever, banir”, do Latim bannire, “proclamar”. Naqueles tempos – fim do século XIX e início do século XX, o Estado não estava presente no nordeste brasileiro onde reinavam absolutos os grandes proprietários rurais donos da vida e da morte do camponês. Se o trabalhador se submetesse estava tudo bem, do contrário era banido do convívio rural e visto como rebelde ou bandido. O que está presente no cangaço, mais que o medo das populações exaltado pelos donos do poder, é o sentido de justiça que estes bandos promovem nos lugares que passam. Eles extorquem os grandes proprietários e nunca os camponeses. É assim justificável que o cangaceiro Jararaca seja tratado como um santo em Mossoró onde depositam flores em seu túmulo.

Como afirma Hobsbawn o banditismo social – e aqui enquadramos o cangaço — deve ser analisado como ato de protesto e não como ato revolucionário. O protesto se dá contra a opressão extrema do camponês e eles não lutam por um mundo de igualdade de direitos.

De Claudio Guerra para o baú de Macau.

 

Mais sobre o assunto: http://www.obaudemacau.com/?s=Cangaceiros