Ainda sobre a Alcanorte

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A ditadura dos carteisNão fosse os documentos da ditadura, agora públicos, penso que não saberia da existência deste livro. Ele vem corroborar o que apurei  na pesquisa quando escrevi  Alcanorte – da farsa às cinzas, publicado em 2009, ou seja a pressão do cartel de álcalis para o não funcionamento da fábrica de barrilha em Macau. Todos os donos do poder (empresários, políticos, dirigentes das empresas, etc.),  sabiam que eram os cartéis que não deixavam a fábrica prosperar, mas por conivência   ou conveniência , falavam em “forças estranhas”.  Por fim, mantiveram em fogo baixo  e ficaram “cozinhando” a construção da fábrica de álcalis até as privatizações do governo Collor, quando a enterraram de vez. As cinzas estão lá na entrada do istmo de Macau, cinzas milionárias da insanidade do capitalismo e servilismo dos donos do poder no Rio Grande do Norte.

O livro A Ditadura dos Cartéis (Anatomia de um subdesenvolvimento)  é de autoria de Kurt Rudolf Mirow, empresário do setor de materiais elétricos e que foi diretor da CODIMA S.A., empresa brasileira de origem alemã,  vítima do cartel do setor elétrico.

A luta contra o cartel levou o empresário a fazer uma grande pesquisa sobre o tema e a escrever o livro-denúncia lançado em 1976 e proibido no começo de 1977 pelo Ministério da Justiça à época com o ministro Armando Falcão, conhecido pelo “nada a declarar”. O autor recorreu ao Superior Tribunal Militar onde foi vitorioso levando  o ministro Falcão a revogar o seu despacho em abril de 1978.

Espectro da Alcanorte. Foto de Getulio Moura

Espectro da Alcanorte. Foto de Getulio Moura

A história do livro é contada pelo Professor Moniz Bandeira : “ A Ditadura dos Cartéis, que Kurt Rudolf Mirow escreveu é, pois um livro vivido, de quem sofreu a realidade dos cartéis…”     “ é um depoimento terrível, chocante, que mostra o grau de insegurança nacional a que o Brasil chegou, os cartéis internacionais dominando todos os setores da economia nacional…”

A história do livro mostra bem como era a ditadura e o quanto ela interferia negativamente no desenvolvimento do país.

Na página 100 do livro (7ª edição, 1978, Civilização Brasileira) o autor fala sobre os produtos de álcalis demonstrando como três grandes grupos do setor dividiram o mercado e impediram o funcionamento de outras fábricas de barrilha no mundo.

De Claudio Guerra para o baú de Macau.