Macau, economia mundial e o preço do petróleo.

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1981 em Macau: presença da Petrobrás Foto: Claudio Guerra

1981 em Macau: presença da Petrobrás
Foto: Claudio Guerra

Há alguns anos publiquei nesta Folha de Macau sob  o título “Carnaval, petróleo e o inferno” um longo artigo onde falava sobre a irresponsabilidade  na aplicação dos royalties do petróleo. Não era antevisão, era constatação  do que em breve aconteceria.

“O futuro da região é incerto. Sendo os royalties compensação financeira passageira e sujeito a grandes variações deveria ser destinado para investimentos, de maneira que “fechado o poço” a região já contasse com novas atividades de emprego e renda. Não é que acontece. Não há propostas para o desenvolvimento local e regional e nem existem políticas estruturais por parte das prefeituras ou do governo do Estado. Enfim, os royalties são mal aplicados e não chega ao cidadão que sofre o impacto das mudanças na região”.

Desde o final de 2014 a disputa pelo mercado  entre as grandes empresas provocou a queda do barril de petróleo o que está afetando diretamente os municípios que recebem os royalties. Em Macau a diminuição é de quase cinquenta por cento. O problema da diminuição dos repasses dos royalties antecipa os efeitos da Lei 12.734/12 que trata do assunto e que estará em vigor plenamente em 2019. Até lá é preciso que os municípios se adequem a nova realidade de recursos disponíveis.

A falta de visão de prefeitos e vereadores que não compreenderam os royalties como rendimento finito e sujeito às variações do mercado e que deveriam ser aplicados em obras de infraestrutura que pudessem fomentar o desenvolvimento de Macau foi o ponto crucial. Hoje o que vemos é uma prefeitura estruturada a partir de um nível elevado de renda.  E pasmem nenhum centavo dos royalties foi aplicado em  fatores de desenvolvimento econômico.

O ruim desse novo cenário é que os efeitos da crise é social. Pagam quase todos os macauenses que de uma forma ou de outra dependem do governo municipal para “tocar” suas vidas.  Queda na qualidade dos serviços públicos, demissões, atraso no pagamento de fornecedores, de serviços prestados, de aluguéis de imóveis e veículos, enfim  uma situação de caos, talvez pior do que a provocada pela mecanização das salinas na década de 1970.

Claudio Guerra para o baú de Macau