Pregões [poesia]

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Pregões

Do meu exilio Barro Vermelho

assisto aos pregões que desfilam por entre as horas.

Demoradas horas.

 

O vendedor de sorvetes: coco, chocolate, goiaba

sabor novo de cajá,

caju e maracujá!

Traga a vasilha! T r a g a   a   v a s i l h a!

 

Blér-blém-blér… Blér-blém-blér…

É o sino e o desafino do carro de gás.

Não cabe em poesia carro desafinado.

 

Espanadooor!  E s p a n a d o o o r!

O grito forte ricocheteia nos muros

e enseja um comentário:

Eita homem da garganta poderosa!

 

Arrasta-se a tarde e o pregão não para.

Bem-te-vi… bem-te-vi… bem-te-vi…

E a moça rosa de amarelo passa…

Vendendo saúde.

 

O vendedor de cavaco chinês:

Dlim-dililim-dlim-dililin-dlim-dililim

dlim-dililim-dlim-dililin-dlim-dililim

e uma lágrima denuncia a saudade.

 

Cabecinha de algodão

desponta na ponta da rua.

Traz maletinha de madeira e ferros,

enferrujados.

É um mago e anuncia uma onomatopeia.

Será o fim dos tempos, pergunto?

 

Antonio Nogueira [Claudio Guerra]