A tarde e o doce [poesia]

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A tarde e o doce

 

Nas compridas tardes da minha infância

na barra funda de Paraguaçu, paulista,

a doce fumaça que invadia o meu quintal,

vinha prenhe de desejos, sonhos e surpresas.

 

Por entre bananeiras e velhas cercas

do meu doce quintal de laranja lima

Dito Paçoca paçocava paçoquinhas

e em fogo alto o negro tacho de doce de leite.

 

Nas doces tardes da minha infância

de fazendas de bois de melão Caetano,

sonhava com o doce de leite e

daria todo o meu rebanho por uma paçoquinha.

 

Nas alegres tardes da minha infância

de doces desejos, mas tão distantes,

ouvia-se um grito de uma criança e depois,

a admoestação de um adulto:

 

Mãeeeeee… posso tomar banho no tacho de fazer doce?

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Cala essa boca menino, os vizinhos podem ouvir!

 

Antonio Nogueira [Claudio Guerra]