A questão da agua por Fátima Paulet, uma macauense na França

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A questão da agua visto por Fátima Paulet, uma macauense na França

 

Claudio Guerra, 1982, poco da Marechal, arquivo o bau de macau

Claudio Guerra, 1982, poco da Marechal, arquivo o bau de macau

Recebemos um e-mail muito interessante da macauense Fatima Paulet que mora desde os 1980 na França. Fatima tem dado uma grande contribuição ao baú e a Macau, inclusive com relação ao topônimo, levantando mais uma hipótese da origem do nome Macau, quando visitou a Macau da França.  Nestes tempos em que a agua é mais um dos problemas de Macau ela nos envia um circunstanciado relato da gestão da água na França.

Claudio Guerra

“ÁGUA – Liquido precioso.

Na França, a água da torneira é um dos alimentos mais controlados.  Desde do final do século XIX, as organizações de serviços de água e de saneamento são autoridades públicas locais e municipais. Esses municípios podem se organizar em grupos com outros municípios ou cidades pequenas para gerenciar estes serviços de purificação da água e saneamento. Juntos fazem o controle permanente, destinado a garantir a segurança sanitária. O cidadão pode verificar esses serviços pela internet no site dos ministérios dos serviços sociais e da saúde,  clicando na região e na cidade e de imediato constatar as últimas analises da qualidade da agua. A agua da torneira é de boa qualidade, as vezes mais segura do que certas águas engarrafadas.

O processo de tratamento das águas tem dois nomes: Usina de Potabilização onde a agua é recuperada nos rios, ou barragens, como penso que aí é do mesmo jeito e depois ela é bombeada para uma usina de potabilidade, onde ela é transformada em água potável e depois distribuída para o consumo. A distribuição é feita para as cidades e algumas tem uma reserva de chamada de “chateau d’eau”. Muitas cidades fazem destas reservas uma decoração para embelezar a paisagem urbana. Usina de depuração: Este segundo processo não sei se existe aí, ele consiste em recuperar as águas usadas, por exemplo dos banheiros, das maquinas de lavar, etc. Essas águas usadas são recuperadas e em seguida dirigidas para uma outra usina de depuração, onde é filtrada e depois jogada no meio ambiente.

Agora Macau e seu problema de água.

O que está acontecendo com o abastecimento da água na cidade Macau, me deixou um pouco pensativa sobre o mal gerenciamento do liquido tão precioso. Lembro quando era criança que na cidade tinha um poço natural, na rua Marechal Deodoro onde tinha água quente que saia das entranhas da terra salineira e a população ia buscar esta água para consumo diverso como:  lavar a louça, tomar banho, lavar a casa, etc. Essa água era meio salobra, não dava para beber, mas pelo menos ela estava ali, não sei como foi que este poço foi condenado e em que ano, mas me pergunto:  – Será que foram feitos estudos neste poço, para verificar sua utilidade antes de fechá-lo? Aqui na Europa as cidadezinhas que tem essas águas quentes, elas são utilizadas em banhos térmicos e os poços não são fechados, eles têm uma utilidade na cidade, se você for a Roma é impressionante ver que em cada bairro pode se dizer tem fonte de água, com uma decoração bem romana.

Se considerarmos que este liquido é a forma de vida e que nossa vida depende da água, logo podemos concluir que água é algo de muita importância.

A agua é um problema mundial, e também de cada um de nós e de nossos dirigentes, o que Macau está passando é algo pequeno diante do que poderá acontecer daqui a poucos anos com a mudança do clima. Pelo que vem sendo dito pelos cientistas esse problema poderá ser muito mais grave com o aumento da população nas cidades oriundos de imigrantes dos países em guerra ou com problemas de seca. Temos que ter consciência desta situação.

Fátima Paulet, em março de 2016, desde a França