De trustes

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De trustes

E. Valle, Macau na década 1950,

E. Valle, Macau na década 1950,

É uma historia macauense.

Revi agora o filme Coronel Delmiro Gouveia (1979), direção de Geraldo Sarno. Ele fala do modo de agir dos trustes. Conta a história do exportador de couros que torna-se industrial aproveitando o a interrupção das importações durante a primeira guerra. Delmiro Gouveia mandou construir uma fábrica de linhas de costura no nordeste brasileiro de terras baratas e algodão farto e claro, farejando lucro.

Quando a inglesa Machine Cottons pode restabelecer a exportação para o Brasil usou os métodos dos trustes para tirar a fábrica de Delmiro do páreo. Primeiro, ofereceu-lhe preço vil, depois baixou o preço do seu produto ao ponto de acabar com a concorrência, depois comprou e mandou destruir a fábrica.

Com as salinas foi assim. Das centenas, restaram poucas, concentradas em duas ou três grandes empresas. As demais viraram salgados e apicuns.

Com a barrilha também foi assim. Os oligopólios não deixaram nem que concluíssem a fábrica. E como disse um escritor potiguar: não se fabricou uma cuia de barrilha.

O final do filme é didático. Um ex-operário da fábrica diz: “Seu Delmiro mandou a gente fazer a fábrica e a gente fez. Depois vieram os ingleses a mandaram a gente destruir e a gente destruiu. Em nenhum momento eles perguntaram se a gente queria destruir a fábrica”.

Aqui como no filme nunca foi perguntado ao povo de Macau se ele queria o fim das centenas de salinas ou se eles queriam que a fábrica de barrilha não fosse construída.

Eles vem aqui, extraem o que querem e como querem com empregos de baixos salários e depois, quando não querem mais, demitem sem ao menos perguntar como seus ex-funcionários comprarão o pão do dia seguinte.

Claudio Guerra para o baú de Macau em maio de 2017.