Macauísmos – Lugares e falares Macauenses

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Obra: Macauísmos – Lugares e falares Macauenses

Autor: Benito Barros

Editora: 1ª edição: Edição do Autor:  2ª edição: Imperial Casa Editora da Casqueira

Local: Macau, Rio Grande do Norte

Ano: 1ª edição em 1997 e 2ª edição em 2001

Gênero: prosa

 

 

 

 

Macauísmos – A história através dos becos marginais    Texto de Claudio Guerra publicado  na  Folha de Macau, Ano I, Nº 10, outubro/1997. A partir da construção de uma aparente “babel” de acontecimentos, onde nem o tipo nem a cronologia dos mesmos foram obedecidos, desconstrói a história de Macau retirando aqui o reboco, ali meia dúzia de tijolos já despidos ou então uma parede inteira acolá, e com isso vai desvelando a verdadeira história da cidade feita por coronéis, padres, operários, bacharéis, miseráveis, prostitutas, marginais de toda espécie e poetas,… belos poetas!  E pelas páginas vão desfilando os fatos trágicos, cômicos, profanos, sagrados, garimpados em livros, jornais, livros de registros de processos civis, atas da Câmara Municipal ou outros documentos que ainda resistem para contar a história deste pedaço salgado de terra.  É justamente esta falta de “arrumação” que torna a obra instigante e parideira de dezenas de outras que a imaginação de cada um possa criar a partir dos relatos que contém. Nesse sentido, os lugares e os falares são apenas pretexto para o autor mostrar através de “flashes” a realidade. A dura e crua realidade de uma urbe baseada num único e cruel tipo de atividade: a extração do sal marinho. Cruel pelas condições de trabalho a que estavam submetidos os operários e mais tarde, desgraçadamente cruel pela negação e supressão desse mesmo abominável trabalho, através da mecanização das salinas e do transporte, o que causou o desemprego de milhares de trabalhadores.  Cenários que contam a vida da cidade. Mário de Andrade registrou a “violência mucuda do sol e do vento”. O cotidiano simples devassado, revelado em vários ângulos. O pitoresco do povo retratado de várias formas. Aqui e ali incidentes obscenos ou contrários à ordem estabelecida.  Sentimos a pulsação da cidade. Ela está agitada em 1951. Que emoção sentiu José Ribamar que gritava palavras de ordem em favor dos sem terra e que para evitar ser preso se envolveu na bandeira nacional?  E que orgulho deve ter tido a autoridade que nesse mesmo entrevero apreendeu e quebrou cartazes com “queremos liberdade”? E porque nesse ano, protestar conduzindo um cartaz com os dizeres “queremos água” rendia ao portador uma intimação judicial sob a acusação de estar fazendo propaganda comunista?  A precariedade da vida está retratada em vários instantâneos. Até a década de 60 era o império da faca peixeira. São pessoas que vivem em situação limite, como a prostituta Licomédia, assassinada por ciúmes ou José Carvalho, assassinado por Pedro Corcundo numa briga de cabaré.  Vidas perigosas e repletas de aventuras. Pessoas comuns, personagens marginais que marcaram em épocas distintas sua vida na cidade: Pintinha, Badalada, Maria Carne de Porco, Dedé de Lúcio, Jorge Perninha, Tributino, Alfredo Mulatinho, estes fizeram parte da história.  Fantasias, desejos proibidos, delírios pecaminosos. O sexo sempre presente. Prostíbulos, desvirginações. O sol dos trópicos fazendo arder, inflamando, levando o “pecado” a cada beco. O sal temperando a sexualidade. Sensualidade picante explodindo. Terra em eterno cio. No ano de 44, Raimundo Safadinho diria que se tratava de inocente festinha à acusação de promover bacanais em sua residência.  Em 1961 o jornalista Ewaldo Dantas da Folha de São Paulo afirma: “Em Macau, onde praticamente não há ódios porque os sofrimentos abafam tudo.” O belo e amargurado soneto de Olda Avelino, que lembra Florbela Espanca, parece confirmar o jornalista: “Voaste branca, sem levar saudade/ Se eu tivesse morrido em tua idade/ Não contemplara, no passar dos anos/ Cheia de mágoa, que acabrunha e prostra/ Em cada quadro que o destino mostra/ O fantasma cruel dos desenganos.” O universal permeia toda a obra. Os fragmentos dão forma e unidade. Dizer parabéns é pouco, mas dizer mais ao irascível escritor é provocá-lo a destampar a sua inesgotável coleção de palavrões. Aguardamos agora os filhotes desta obra. Mãos à obra, Benito, “a luta é titânica”.

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