Diário Náutico

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Autor: Gilberto Avelino; Diário Náutico – Obras Completas – volume 1 e 2 Orelha do livro pelo poeta Horácio Paiva Nasceu o poeta Gilberto Avelino no dia 9 de julho de 1928, em Assu, vindo, em seguida, morar em Macau, terra de seu pai, o também poeta Edinor Avelino. Faleceu aos 74 anos, em 21 de julho de 2002, em Natal.      Fernando Pessoa, falando de sua própria obra, dizia que a língua portuguesa era a sua pátria. A esta pátria legou, Gilberto, uma poesia de refinado lirismo, de densa e, ao mesmo tempo, suave expressão emocional.

Não é uma poesia de pedras como a de João Cabral de Melo Neto, mas uma poesia de água, de vertente lírica em que pontificaram outros grandes mestres, tais como Manuel Bandeira, Pablo Neruda e Garcia Lorca, entre outros.

Poesia vem do mar, e aporta, trazida pelo vento leste, em Macau, ilha, refúgio existencial do poeta: “Esta é a terra que amo/Do rio em preamar sereno,/Onde, entre ferrugens e sombras,/Descansam âncoras, e navegam/Fantasmas de barcos cinzentos.” Poeta lírico, de estilo original, inconfundível, publicou, ao longo da vida, oito belos livros: O Moinho e o Vento, O Navegador e o Sextante, Os Pontos Cardeais, Elegias do Mar Aceso em Lua, O Vento Leste, As Marés e a Ilha e Os Tercetos e Um Canto às Vozes do Mar. Deixou ainda, vários poemas inéditos, alguns reunidos na obra denominada Canções e na antologia A Escola de Macau, em que participa com outros poetas macauenses.

Em justa homenagem , e reconhecimento ao mérito de sua obra, são, agora, publicados os seus poemas completos, reunidos, nesta bela edição, sob o sujestivo título [um verdadeiro achado poético, criado pelo autor antes de morrer: Diário Náutico.

Fecha-se, assim, com chave de ouro, o ciclo de beleza e verdade da obra de Gilberto Avelino, o poeta do mar, e de sua amada ilha, Macau. E com absoluta coerência, que não se expressa, releve-se, apenas em relação aos títulos de seus livros – todos em clara rever~encia ao mar – mas à abordagem lírica, ao estilo original à temática nobre.

Afinal, a poesia de Gilberto concilia – como já observei no prefácio aos Tercetos – estes dois aspectos: o provinciano e o universal fundindo-os em eloquência e originalidade, expressando, enfim, uma linguagem cuja grandeza humana se torna acessível a todos, e, portanto, universal, mesmo quando, ás vezes, provinciana.

O Diário Náutico é, portanto, livro essencial às bibliotecas, ao leitor sensível e culto, amante da boa poesia.

O Vaqueiro

Os tercetos [07]

Os tercetos [03]

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