Igreja e Política no RN

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Obra: Igreja e Política no RN; Autore[a]s: Marlúcia Paiva: A Igreja dos Anos 50: O Movimento de Natal;  Dalcy da Silva Cruz: Igreja Católica no RN – Participação Política e Social nos Anos 60;  Ilza Araújo Leão de Andrade[org.]: A Igreja e o Campo: Momentos de Uma Rica Trajetória e O Artesanato de Uma Nova Cultura Política: As Pastorais Populares; Paulo Palhano da Silva: Os Conflitos da Terra no RN e a Ação da Igreja; Irene Alves de Paiva: A Igreja e a Construção de um Espaço Público.  Texto da orelha do livro pelo Dr. José Willington Germano da UFRN:

O notável pensador italiano Antonio Gramsci, em seus famosos “Quaderni”, procurou analisar a ação do catolicismo no curso da história, especialmente na Itália. Para ele, a Igreja era, essencialmente, uma organização intelectual e a religião deveria ser compreendida como “unidade de fé entre uma concepção de mundo e uma norma de conduta adequada a ela”. O próprio Gramsci, no entanto, indaga: “por que chamar esta unidade de fé, de “religião” e não de “ideologia”, ou mesmo de “política”? Nessa perspectiva, a Igreja e, por conseguinte, a religião, não dizem respeito apenas à fé, mas também à organização, isto é, a política.

Ao percorrer as páginas deste livro, o leitor irá se deparar com esse notória realidade: a participação política da Igreja Católica no Nordeste do Brasil, no Rio Grande do Norte em particular, no sentido de superar as agudas desigualdades sociais, erigir direitos, combater uma cultura política opressiva, organizar massas exploradas, fundar, enfim uma sociedade civil.

Como autor profundamente preocupado com as desigualdades, Gramsci se debruça sobre as diferenças na Itália, entre o Norte industrializado e o Sul agrária, atrasado. Mas, ao comparar a atuação da Igreja no “Mezzogiorno” a Igreja era uma força regressiva, conservadora, vinculada aos grandes proprietários rurais. No Nordeste, ao contrária, a Igreja, desde os anos 50, se tornou, em grande medida, uma força progressista, enfrentando, no campo e na cidade, as forças da opressão e do atraso.

Este livro, portanto, tem a virtude de abrir asas sobre um tema tão importante Igreja e política em um contexto que se caracteriza por um lado, pela riqueza cultural e pela capacidade de resistência do seu povo e, de outro, pela arrogância das suas elites, indiferentes à miséria.