Um passeio sentimental à minha terra

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Autor: Walter Vanderley; Obra: Um passeio sentimental à minha terra; Gráfica Olimpica Editora Ltda., RJ, 1977. Palestra proferida em sessão solene no Centro Social de Macau em 8 de setembro de 1975 ao ensejo do centenário da cidade [9/9/1975].

A imagem de uma cidade no livro de Walter Wanderley Este é um livro igual àqueles antigos livros do enlevo dos namorados, cuja leitura se terminava com pena de se ter chegado ao fim. Na verdade, é um livro encantador, que vem enriquecer, no seu gênero, a bibliografia memorialista do Rio Grande do Norte, em um dos aspectos positivos da sua originalidade. E mais do que isto, se ele vem enriquecer a literatura potiguar, muito mais ainda deve enriquecer, com sua publicação, a cidade de Macau, esta que, entre outras, no dizer do seu grande poeta Edinor Avelino, “é das mais ricas terras pequeninas”, a que ajuntarei com força de expressão: a refulgente pérola das marinas banhadas pela água do Atlântico. Macau é a terra inesquecível, sempre presente nas incursões culturais do autor de “Um passeio sentimental à minha terra”, o admirável cartógrafo romancesco, de lúcida visão paisagística da região prodigalizada de imensas riquezas, que viu nascer Walter Wanderley – o descendente do flamengo companheiro de Maurício de Nassau – um valor representativo da sua geração e um dos seus filhos mais ilustres. A memória é, inquestionavelmente, o ponto alto da atividade literária de Walter Wanderley. Escritor de descortínio e horizonte amplo, aí estão seus livros de pesquisas e de genealogias, que retratam, com tinta forte, a geografia evocativa da sua obra, toda talhada nas curvas do passado, cujas tradições se vinculam à História e ao próprio Destino da terra e da gente do Nordeste Brasileiro; Quem o vislumbrar neste itinerário lustrado pelas estrelas da recordação, através da leitura destas páginas onde corre o rio do afeto e do amor, há de reencontrar na estatura de sua personalidade inconfundível a figura heráldica de João Wanderley de Albuquerque, parado no meio do tempo, contando as histórias do lugar e repetindo os nomes dos moradores desse nobre casario de outrora, que o tempo vai destruindo dia a dia, testemunha solitária, olhando as mesmas ruas queridas de Macau da sua juventude, acompanhados, agora pai-e-filho do fantasma inseparável da saudade… por R. Nonato