Chico Mariano

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Chico Mariano, uma liderança sindical nas salinas

A foto ao lado está no livro [p. 62] Das Salinas ao Sindicato – A trajetória da Utopia Salineira, de professor Francisco Carlos Oliveira de Sousa, fundamental para entender a luta dos trabalhadores macauenses – especificamente os envolvidos na produção e transporte do sal — desde os seus primórdios no final do século XIX com a criação da Associação Operária de Macau e a Sociedade dos Homens que trabalham no sal, passando pelo Sindicato do Garrancho na década de 30, o avanço na década de 60 quando os trabalhadores elegeram Venâncio Zacarias,prefeito de Macau e Floriano Bezerra deputado estadual — até o final do século XX, quando o movimento sindical dos trabalhadores do sal restou abatido por várias razões que o autor trata nesta obra.

A atuação sindical de Chico Mariano, importante líder nas décadas 50/70, foi tema do trabalho da professora Marlúcia Paiva. Chico Mariano: calafate e alvarengueiro…boêmio. In Notas da Região de Macau. Natal: UFRN, 1985. Projeto Camundá, Coleção Textos Acadêmicos.

Conheci Chico Mariano no começo da década de 80. Pessoa alegre, comunicativa e com uma veia sarcástica formidável. Falou-nos [para eu e alguns amigos] certa vez da antropofagia do homem através do caranguejo, que comia náufragos e que era comido pelos homens.

Era dele também o bordão de “quem não é visto, não é lembrado!” Sua justificativa para não acompanhar enterros.

AD, ? 1950, Barcos no Rio Assu, arquivo desconhecido

Me contou o amigo Lula, mestre de barcas da Henrique Lage no pós-64 que um dos trabalhadores da sua equipe era Chico Mariano, que perseguido pela ditadura como todos os sindicalistas da região, guardava uma mágoa muito grande dos militares que deram o golpe no presidente João Goulart que preparava uma série de reformas boas para o povo. Bom trabalhador, preparado e experiente, Chico Mariano, sem alarde, iniciou seu protesto contra a ditadura, deixando a barba crescer e provocando a ira dos coronéis que dirigiam a Henrique Lage Salineira. Lula era frequentemente chamado pelos coronéis que não queriam ver um barbudo trabalhando na empresa dirigada por eles. Consideravam aquilo um acinte. Lula me disse que chegou a pedir, sem sucesso, para Chico Mariano cortar a barba. E assim foi passando o tempo, Chico Mariano parecendo Fidel Castro e os coronéis cada dia mais raivosos com aquela desfeita, que já chamavam de insubordinação!

Um dia, a embarcação preparada para zarpar quando chegou a notícia do acidente de aviação que matou o general Castelo Branco, o primeiro dos ditadores. Chico Mariano ouviu a notícia e calado, desceu ao convés e voltou com a barba completamente raspada. Ninguém comentou nada, nem os coronéis!

Claudio Guerra, em março de 2011 para o site  www.obaudemacau.com

 

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