Luiz Fausto de Medeiros

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Autor: Luis Fausto de Medeiros

Obra: Minhas memórias de Areia Branca

Cadernos de Areia Branca – Coordenação: José Nicodemos

Nº 1 – novembro de 2001

Fundação Guimarães Duque – Fundação Vingt-un Rosado – Coleção Mossoroense

 

 

 

A primeira greve portuária

 

Há oitenta anos passados, ou mais precisamente em 1898, foi deflagrada a primeira greve no Porto de Areia Branca. Nessa época a movimentação das cargas de exportação e importação já eram notáveis.

Acontecia, porém, que os fretes pagos às barcaças do tráfego do porto, barcaças auxiliares que movimentavam a carga entre os vapores e a praia, permaneciam inalterados de modo a não atenderem mais às mínimas necessidades domésticas de seus tripulantes, não obstante os seus constantes apelos que não eram atendidos.

A insatisfação crescia e foi criado um clima de sérios aborrecimentos, mas os Mestres de Arrais e os seus respectivos tripulantes não dispunham de apoio para uma justa reação.

Afinal um cidadão bastante relacionado com a classe marítima e conhecido pelas suas corajosas decisões, resolveu apoiá-los. Foi André Corsino de Medeiros, Prático Mor de Barra, autêntico lobo do mar e que corajosamente reuniu todos os tripulantes das barcaças em sua residência e aconselhou-os deflagrarem uma greve geral nos trabalhos do Porto.

As Companhias embarcadores de sal e carga geral reagiram com veemência, providenciando a vinda do pessoal marítimo do Porto de Macau para as imediatas substituições das guarnições grevistas.

André Medeiros, cidadão bastante conhecido pela sua coragem pessoal e espírito de humanidade e justiça, empolgado com os primeiros resultados da greve, informado da convocação marítima de Macau, sua terra natal, embora confiante num gesto negativo de solidariedade, convocou nova reunião em sua casa residencial e instruiu os nossos tripulantes a descalarem [retirar] os lemes das barcaças na calada da noite e escondê-los em lugar seguro e vigiado.

Afinal, os marinheiros do porto de Macau não atenderam à convocação por solidariedade de classe e, por isso, as companhias, na impossibilidade de dominarem a greve cederam aos justos e humanitários desejos da tripulação das barcaças.

E foi assim, exatamente este o primeiro movimento grevista deflagrado no porto de Areia Branca.”

 

p. 78/79 da obra: Minhas Memórias de Areia Branca

 

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