Sarau de Poesias! Que festa é essa?

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“A poesia

— é só abrir os olhos

tem tudo a ver

com tudo”.

José Paulo Paes

 

Tendo como premissa o fato de que a aprendizagem da criança e do adolescente na escola está fundamentada na leitura, a qual se encontra restrita ao livro didático e, portanto, descontextualizada em relação à diversidade de leitura que permeiam o momento atual, o Proler/Macau tomou a iniciativa de aceitar o desafio de oferecer oportunidades às escolas que venham contribuir para a formação de leitores.

O ensino da leitura é de suma relevância para a solução de problemas concernentes ao aproveitamento escolar. E ao fracasso na formação de leitores pode-se atribuir o fracasso geral dos alunos de 1º e 2º graus.

Os professores reclamam que seus alunos não gostam de ler. Por outro lado, os docentes não foram capacitados para promover condições em sala de aula para mediar a relação leitor/texto até porque nunca tiveram aulas teóricas sobre a natureza da leitura, o que constitui o ato de ler, os tipos de engajamentos intelectuais necessários e os pressupostos de caráter social em que ela se assenta.

Assim pensando, o Proler, nesta cidade, optou por trabalhar a poesia em sala de aula, objetivando não só a divulgação deste gênero literário, mas principalmente, se propôs a redimensionar o espaço da leitura e da escrita no cotidiano escolar. Para isso, criou o programa denominado “Saraus de Poesias”, trabalhando paralelamente as novas concepções de leitura através de grupos de estudo envolvendo professores, supervisores escolares, bibliotecários e amantes da literatura.

A idéia do tema “Sarau” surgiu da conceitualização deste signo dicionarizado que significa festa literária. E entendendo a literatura e, em especial, a poesia como parte de prazer, de jogo, de criatividade, de emoção, de imaginação é que lançou a idéia de imediato adotada pelas escolas.

Mas o que consiste os “Saraus de Poesias” pensado e posto em prática pelo Proler/Macau?

Os “Saraus de Poesias” se constituem num trabalho sistematizado com a poesia a ser desenvolvida no dia a dia da escola. Para a sua realização, o professor está sendo trabalhado desde o significado do ato de ler, embasado nas teorias sócio-psicolinguísticas acerca da leitura e na estética da recepção, ao como ler poemas ou dizê-los sem esquecer a relação triádica que compõe a poesia: ritmo, sonoridade e imagens na construção do significado ou significações poéticas.

A princípio, a escola escolhe que autores vai trabalhar com base nos dois volumes de antologias poéticas organizadas previamente pelo Proler local. A posteriori, apresenta à comunidade escolar as várias formas de apresentação dos poemas e poetas.

A escola elege a que mais lhe agradou e esta se apresentará nos dias 28 e 29 de agosto do corrente, no auditório do SESI em Macau, onde terá como público alvo não só os alunos e professores, mas todo e qualquer cidadão que goste de poesias.

A exemplo do que acontecerá a nível dos alunos em relação à poesia, haverá no dia 21 de setembro, à noite, no auditório do SESI, por ocasião do II Encontro do Proler/Macau, o “Sarau de Integração”, onde participarão educadores de Natal, Macau, Pendências, Alto do Rodrigues, Guamaré, Galinhos, Jandaíra e poetas macauenses.

Este Sarau terá como marca registrada o encontro da poesia com a música e o teatro.

Por ocasião da abertura será apresentado a peça “Contos do Pontal do Anjo”, de autoria de Claudio Guerra, adaptado para o teatro pelo Arte-Educador Subhadro e encenado pelos alunos da Fundação Escola dos Artistas. Logo após, cada educador que desejar recitará o seu poema predileto, sendo o Sarau encerrado ao som do teclado que executará poemas musicados que parte do cancioneiro brasileiro.

Como diz Paulo Freire: “No processo de aprendizagem, só aprende verdadeiramente aquele que se apropria do aprendido, transformando-o em apreendido, com o que pode, por isso mesmo, reinventá-lo; aquele que é capaz de aplicar o aprendido-aprendido a situações existenciais concretas.”

 

Folha de Macau, Ano II, nº 17, agosto/1998.