O Proler faz a festa em Macau

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“PARA SER GRANDE, sê inteiro: nada Teu

exagera ou exclui.

Sê tudo em cada casa. Põe quanto és

No mínimo que fazes

Assim em cada lago a lua toda

Brilha, porque alta vive”.

Fernando Pessoa

 

Estes versos pessoanos, no momento em que o PROLER/Macau (RN) realizou o se II ENCONTRO INTERMUNICIPAL nos dias 21 e 22 de setembro do corrente ano, sintetizam a ação e a participação de todos que colaboraram para realização do aludido encontro: o Comitê local, os conferencistas, os oficineiros, os educadores da região e os patrocinadores, numa ciranda movida pelo desejo de contribuir para a construção de um novo homem pautado na condição de leitor e de cidadão. Até porque o tema do evento foi: Leitura, Escrita, Cidadania e Desenvolvimento.

E falar em leitura é mesmo uma provocação, pois me sinto instigada a relatar a trajetória de minhas leituras acerca de tão relevante acontecimento para todos que trabalham com educação na área polarizada por Macau.

Para tanto, começo a ler o significado do tema proposto para uma prática pedagógica mais condizente com as coordenadas ideológicas que fundamentam o momento histórico marcado pela proximidade com o terceiro milênio.

Penso que o professor para assumir o seu papel de sujeito na construção de uma sociedade mais humanitária deve ser, antes de tudo, um leitor de várias linguagens que se impõem no seu cotidiano. Para isso, deve entender a leitura como um processo de compreensão respaldado pela dialética entre a leitura de mundo e o mundo da leitura. E nessa relação encontra-se o outro lado da moeda, ou seja, a escrita.

Neste contexto, a escrita deve ser entendida como o registro resultante das interpretações das leituras efetivadas.

Lendo o tema

O tema LEITURA, ESCRITA, CIDADANIA E DESENVOLVIMENTO atendeu aos anseios e expectativas das escolas que buscavam alternativas para a resolução do impasse em que se encontra a escola brasileira. Só lendo e escrevendo o homem pode conquistar o direito de ser cidadão. E só se tornando um cidadão no sentido amplo da palavra, o homem poderá não só contribuir para o desenvolvimento do país, mas, principalmente, fazer parte deste processo.

Quando se falou em leitura, durante o encontro, falou-se sempre desta como uma prática social, isto é, a leitura em sua diversidade de formas e configurações cumprindo propósitos e finalidades de comunicações entre os homens em processo de interação social.

Já no que concerne à escrita, observou-se a sua relação de intimidade com o contexto escolar, o que, às vezes, limita-se à produção textual de alunos. A escrita trabalhada na escola, além da submissão à norma padrão da língua, possui um caráter de expressão da verdade, tolhendo o imaginário necessário à sua criação.

Para resolução do problema, foi proposto, no encontro, trabalhar a escrita na escola a partir do registro também dos textos literários, enfocando a relação texto/contexto na discussão e socialização da leitura em sala de aula. Assim sendo, tanto a leitura quanto a escrita podem servir de veículo condutor para os vários caminhos que possam conduzir o homem para o espaço de conquista de sua cidadania e conseqüente desenvolvimento social.

Lendo o encontro

Ler o II ENCONTRO INTERMUNICIPAL DO PROLER em Macau(RN) significa ler o desejo dos educadores da região por uma educação que faça frente ao marasmo da rotina das salas de aula. Isto fica marcado no registro do número de participantes do evento que chegou a somar 600 educadores.

Significa ler este desejo na participação voluntária de todos aqueles que encamparam e adotaram a proposta e os objetivos do PROLER nacional acerca da formação de leitores.

O anseio por uma escola cidadã podia ser lido nos olhares que pasmavam diante das vozes dos conferencistas, bem como na participação ativa registrada nas diversas oficinas que atuaram durante o evento.

A nós promotores deste encontro que contou com a parceria do SERVIÇO SOCIAL DA INDÚSTRIA – SESI/Macau, da Secretaria de Educação Estadual do RN, das Secretarias de Educação dos Municípios de Macau, Pendências, Alto do Rodrigues, Guamaré e Galinhos, como também dos Bancos e comércio local, só nos resta agradecer a todos.

 

Folha de Macau, Ano II, nº 18, setembro/1998.