Educando o olhar – A leitura das imagens no espaço escolar

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As transformações em curso no mundo exige cada vez mais um redimensionamento da pedagogia da leitura no cotidiano escolar, o que implica na sistematização das leituras tanto do signo verbal [escrita] quanto do signo não-verbal [imagem].

Através da docência, a escola tem por responsabilidade proporcionar condições pra que seus alunos possam atribuir significações para o seu existir à medida que se projeta no mundo, buscando a compreensão de si, dos outros, das coisas, num contexto prenhe de imagens e significados. E este processo de interpretação inicia-se à luz de suas experiências prévias de mundo.

Para isso, é imprescindível o papel da escola como mediadora na apropriação das linguagens verbal, visual ou verbo-visual, numa conquista da leitura como prática social.

A leitura é, essencialmente, uma prática social. Enquanto tal, não pode prescindir de situações vividas socialmente no contexto da família, da escola, do trabalho, do mundo. Assim sendo, ao lado da leitura da palavra se encontra a leitura da imagem num espaço onde livros, revistas, pinturas, fotografias, cinema, televisão e computador se entrelaçam na construção do conhecimento que a escola deve e tem a responsabilidade de propiciar aos educandos a fim de prepará-los para a vida numa sociedade em que sobrevivem os que conseguem ler o mundo melhor.

O problema é que as novas linguagens, os novos veículos de comunicação e as novas tecnologias ainda não fazem parte das atividades curriculares da escola como instrumento que pode ajudar na busca, na produção e na transformação do conhecimento.

Reduzir o processo de leitura somente ao verbal-escrito é perder de vista a realidade em que estamos inseridos.

As imagens não são coisas concretas, mas são criadas como parte do ato de pensar. São construções baseadas nas informações adquiridas através das experiências visuais anteriores. Produzimos imagens porque as informações contidas em nosso pensamento são sempre de natureza perceptiva.

Como observa Derbray: “… Não há, de um lado, a imagem – material, única, inerte, estável – e, de outro lado, o olhar. O olhar não é receber, mas colocar em ordem o visível, organizar o sentido do olhar, assim como o escrito da leitura.”

As práticas escolares envolvendo as instituições, os professores, os pais, os editores, os livros, as pedagogias, os conteúdos, interagem com as práticas do olhar mediante o recurso às imagens em suporte como revistas pedagógicas, jornais para docentes, livros didáticos, filmes educativos e programa televisivos, em vídeo ou computador.

Nesse contexto, entendemos a urgência dos professores em se apropriarem de uma pedagogia do olhar. Entretanto para que isto aconteça, é preciso que as instituições formadoras dos profissionais da educação promovam e favoreçam a discussão sobre metodologias que incorporem o tratamento das imagens como código não verbal.

A imagem como forma de linguagem é uma ferramenta de expressão e comunicação aberta à leitura. Por isso é necessário educar o olhar para ler e ver o mundo com mais criticidade.

“Acender a luz, ler melhor o mundo, antes de desferir o certeiro murro, e deixar de ser inocente e burro…”

Ezequiel Teodoro da Silva

 

Folha de Macau, Ano II, Nº 24, junho/julho/1999.

 

 

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