Macau a anatomia do caos

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MACAU A ANATOMIA DO CAOS

5/9/2011 [*] Elson Cunha

Foi na primeira metade do século XIX que se deu a ocupação da cidade de Macau por extratores do sal marinho. A cidade de Macau surge após a inundação que toma conta da ilha de Manoel Gonçalves impossibilitando assim a permanência dos antigos moradores naquele local. Posteriormente pessoas vindas da antiga ilha dão origem ao município de Macau, geograficamente localizado em uma pequena península. A emancipação política da cidade acontece no dia 9 de setembro de 1875.

Foto: Getulio Moura, 2008, Macau entre rio, gamboas e salinas; arq. GM

De acordo com historiadores o nome Macau deriva do idioma chinês e significa “Porto de Ama”, a Deusa dos navegantes, até aí tudo bem.

Passados 136 anos, a cidade de Macau teria motivos de sobra para comemorar o seu aniversário, se não fosse o resultado caótico de sua “evolução” durante mais de um século de sua existência. Macau é uma cidade rica e paradoxalmente sua gente é pobre. Contemplada por uma dádiva da  natureza com os seus recursos naturais como o sal, a barrilha, o petróleo, e o pescado, Macau apresenta aspectos que não muito se afastam dos grotões de pobreza de regiões paupérrimas do planeta, tais como Serra Leoa e Nigéria, isso dentro de nossas particularidades históricas.

A arrecadação de Macau, advindos dos royalties do petróleo, se aproxima dos vinte milhões de reais por ano. Em linhas gerais, o valor dos royalties são calculados com base no valor mensal da produção, que se obtém multiplicando a quantidade produzida no mês pelo preço do produto nesse período.

Por ser uma fonte de riqueza para o Brasil, o petróleo proporciona um volume importante de recursos através da exploração do chamado “ouro negro”, recursos que superaram R$ 4 bilhões de reais em 2004, segundo divulgação de estudos realizados pelo SEBRAE. É relevante ressaltar que o petróleo trata-se de um recurso esgotável, por isso em alguns anos, muitos municípios deixaram de receber os recursos advindos do minério. Quem não investir esses recursos adequadamente, de forma a trazer desenvolvimento para as sua regiões, para prover outras fontes de renda, quando os recursos do petróleo acabarem, o tempo áureo de riqueza dará lugar a uma fonte grave de problemas no futuro, como já ocorrido com diversos produtores no Brasil. Basta lembrar, o exemplo do ciclo da borracha no Amazonas, e do Cacau na Bahia, e nesse quesito está a responsabilidade do gestor público.

Mesmo com uma arrecadação dita satisfatória para uma cidade do seu porte, Macau se apresenta como um município extremamente carente haja vista, a realidade social dos seus habitantes. A educação, a saúde e a habitação dos seus munícipes se apresentam de forma caótica, para os padrões que a cidadania exige.

 

Foto Claudio Guerra, 1999, depósito de lixo tóxico do petróleo, próximo ao Canto do Papagaio, estrada Macau/Guamaré, à direita, arq. o baú de Macau

De acordo com o site http/infoyalties.ucam-campos.br desde o inicio de 1999 até fevereiro de 2009  a arrecadação de Macau se aproxima dos R$ 152 milhões de reais. Neste caso seria necessário uma averiguação do Ministério Publico, para constatar possíveis erros na administração desses recursos, afinal esse é o papel dessa instituição. Aqui vai um grito de alerta para a cidade, um dia entoada nos versos inesquecíveis dos poetas, Gilberto Avelino e Benito Barros, que certamente do alto, contemplam silenciosamente, a anatomia do caos reinante na terra do Sal.

[*]Elson Cunha é macauense, sociólogo e articulista do www.falariogrande.com. Leia mais sobre o autor em Literatura e artes.

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