Como diria nosso poeta

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Como diria nosso Poeta

[*] Izan Lucena

 

O grande Poeta da minha terra dizia gostar do vento leste, e hoje deparei com uma notícia na net, que um forte vendaval atingiu a nossa cidade, como diria nosso poeta foi “O Vento Leste”. Os seus poemas estão cheios desse “vento” que vem do mar. Nós não podemos esquecer que a nossa cidade fica numa boca de mar, bem no encontro das águas do rio Açu com o mar sem fim.

Com as suas águas salobras, diante do mundo verde dos mangues, cobertos dos seus mistérios. E o vento leste me parece que deixou muito estrago na nossa pequena Ilha. Ele vem daqueles lados do mar. Começa muito manso como se anunciasse, discretamente, a chegada do verão. E vai se aproximando como se estivesse assobiando, dizendo que vai chegar, e que vem forte. Quem mora na avenida Centenário já se acostumou com a força desse vento. Porém, esse os pegou de surpresa. O vento soprava de frente sobre aqueles alpendres.

Era o vento Leste que encantava o velho poeta Gilberto Avelino. E muitas vezes ouvi meu pai avisar a sua chegada. Geralmente, ele vem quando chegar dezembro, e, sempre espero o vento Leste. Vem sempre muito manso, mas depois vai dobrando os encantos. Do mar, numa carreira só, e vai descendo tão ligeiro que quando a gente menos espera entra pelas janelas e se arrasta no chão da casa. Aliás, o vento Leste, se quer saber, não é vento triste, desses que se amoitam nas touceiras e cantos.

É o vento largo, alegre como esse verão cheio de sol. Mas, quando o vento Leste acalma, as águas limpam e o sol ilumina intensamente o mar, tudo volta ao normal.

[*] Izan Lucena é macauense, escritor, poeta e guarda belas recordações de Macau.

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