Eu amo essas lembranças…

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Eu amo essas lembranças…

 

Foto autor não identificado, 1960?, Vila Maria na rua da Frente, arquivo desconhecido

Da companheira Benise desde Recife recebemos o e-mail com a bela poesia de Bernardo Guimarães, poeta e escritor mineiro de Ouro Preto [1825-1884], autor de A Escrava Isaura e O seminarista, dentre outras obras. O nosso interesse ao criar o baú de Macau é esse mesmo: tecer uma rede com a colaboração de todos macauenses da terra e macauenses adotados, dos que estão em Macau e dos que estão pelo mundo afora.

E veja o que disse Benise: Oi, Cláudio. Veja só, logo após ler o texto de Isan, li Bernardo Guimarães e não pude deixar de associar. Espero que goste.

E veja o que diz o poeta: : Eu amo essas lembranças, como o cisne/Ama seu lago azul, ou como a pomba/Do bosque as sombras ama.

Gostamos Benise. E gostamos muito e creio que os que lerem e forem sensíveis também gostarão. De Claudio Guerra para o baú de Macau.

 

Prelúdio

Bernardo Guimarães[1825-1884]

Neste alaúde, que a saudade afina,

Apraz-me às vêzes descantar lembranças

De um tempo mais ditoso;

De um tempo em que entre sonhos de ventura

Minha alma repousava adormecida

Nos braços da esperança.

Eu amo essas lembranças, como o cisne

Ama seu lago azul, ou como a pomba

Do bosque as sombras ama.

Eu amo essas lembranças; deixam n’alma

Um quê de vago e triste, que mitiga

Da vida os amargores.

Assim de um belo dia, que esvaiu-se,

Longo tempo nas margens do ocidente

Repousa a luz saudosa.

Eu amo essas lembranças; são grinaldas

Que o prazer desfolhou, murchas relíquias

De esplêndido festim;

Tristes flores sem viço! – mas um resto

Inda conservam do suave aroma

Que outrora enfeitiçou-nos.

Quando o presente corre árido e triste,

E no céu do porvir pairam sinistras

As nuvens da incerteza,

Só no passado doce abrigo achamos

E nos apraz fitar saudosos olhos

Na senda decorrida;

Assim de novo um pouco se respira

Uma aura das venturas já fruídas,

Assim revive ainda

O coração que angústias já murcharam,

Bem como a flor ceifada em vasos d’água

Revive alguns instantes.

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