Eólica: energia limpa e fundamentos sujos

Eólica: energia limpa e fundamentos sujos

 

Foto Luiz Itá, 09/2011, usina eólica às margens da maré na RDS Ponta do Tubarao, arquivo: Luiz Itá

Dos manguezais da praia de Diogo Lopes em Macau, maternidade do Atlântico, berçário de peixes e crustáceos, onde os peixinhos dão as primeiras nadadas, me contacta o amigo Luiz Itá, que desde menino luta para que os dragões da maldade não conspurquem aquele pedaço do paraíso. Vejam bem, Itá não é contra o progresso: que venha o progresso, diz ele, mas não para expulsar pescadores, prostituir a juventude e destruir os nativos como sói acontecer em nossa querida América, fruto da ganância dos homens que querem lucro, cada vez mais lucro sem se importarem em destruir plantas e animais.

Desta vez ele está lá às voltas com os pirulitões de ventoinhas. É uma energia limpa, dizem todos. É, mas e daí. Eles vão lá, botam as torres, comem o vento que transformam em energia elétrica, dão meia dúzia de empregos, se muito e vão embora. Para os nativos  fica a nova paisagem, agora repleta de pirulitões. Mais nada. Vejam bem: mais nada, nem essa energia produzida lá poderão usá-la.

A região faz parte da Reserva Estadual de Desenvolvimento Sustentável Ponta do Tubarão, criada pela Lei 8.349 de 17/7/2003, que estabeleceu vários objetivos, dentre eles, criar condições para a melhoria da qualidade de vida dos moradores através do desenvolvimento de atividades auto-sustentáveis; compatibilizar as atividades econômicas instaladas na Reserva com o uso sustentável dos recursos ambientais e  disciplinar os novos usos a serem implantados em consonância com a sustentabilidade ambiental, econômica e social da área. O Plano de Manejo da Reserva que deveria ter sido criado desde  2008, poderia evitar os conflitos que a população padece.

 

Foto Luiz Itá, 09/2011, obras da usina eólica na RDS Ponta do Tubarão, arquivo: Luiz Itá

Mas, neste caso específico que denuncia o meu amigo Luiz Itá, o problema é maior. Trata-se de ocupação de área na reserva de propriedade da União pelo Parque Eólico Miassaba II.  A obra do Parque Alegria I na mesma região já foi embargada pela Secretaria do Patrimônio da União.

Luiz Itá é membro do Conselho Gestor da Reserva e  foi impedido de se aproximar das obras por um funcionário da empresa. Aí ele pergunta como é que ele nascido e criado na região com 48 anos de idade não pode agora caminhar pela sua comunidade que é uma reserva de desenvolvimento sustentável voltada para a população tradicional? E como serão tratados seus companheiros pescadores que precisam circular por ali com o seus petrechos e pescados?