Carnaval. Lá vem o bloco da Macaca! É 1950!

Agora, sobre o carnaval. Olhe que lá vem o bloco da Macaca! É 1950!

 

Foto autor não identificado, década 40, Bloco O Frevo Chegou, arquivo: Professora Anaíde Dantas

A cidade sempre manteve as tradições caras ao povo brasileiro. Carnaval, futebol e religião. Falemos agora do carnaval. Brincavam todos como queriam e como podiam. Tradicionalmente o carnaval na história do homem começou como festa religiosa e se tornou festa profana. É uma festa de reis e rainhas “de mentirinha”.  Uma festa que o feminino pode virar masculino e o masculino pode virar feminino. No carnaval vale homem vestido de mulher. É para inverter mesmo, pois é tudo uma grande brincadeira. É permitido beber até cair. É permitido dançar, cantar, amar. Tudo, sem censura. É para misturar mesmo racional e irracional. Na cidade sempre houve uma tradição de blocos que até hoje é mantida. Blocos com “mascotes”, com bandeiras, com seus hinos. No carnaval de 1915, Othoniel Menezes, um dos grandes poetas potiguares e que por essa época residia em Macau, fez e letra do hino do Bloco dos Espanadores: Vamos todos, unidos, cantando/ a delícia sem par da Folia!/ Cavaleiros gentis batalhando/ pela glória imortal da Alegria!/ /Vamos todos, cantando a harmonia/da beleza da glória imortal!/Pois só quem canta as glórias/ deste dia/ sabe a delícia e o prazer do carnaval/ / Estribilho: Espanadores/seremos nós a alegria/de espantar as dores/dos corações, neste dia!/ Viva a folia/ e a alegria imortal/do Espanadores, no Carnaval!/ … Era assim, poesia de bom gosto para brincar o carnaval. Alguns blocos homenageavam animais.

Foto autor não identificado, década 50, Bloco carnavalesco A Macaca, arquivo: Getulio Teixeira

O memorialista Getúlio Teixeira lembra-se de alguns destes blocos, como o Bloco da Macaca, de Zé Badalo, Bloco do Urso,  Bloco do Passo do Ema, Bloco da Perua. Estes blocos eram chamados de “bagaceira” e não tinham dia nem hora para começar a brincadeira e nem hora e nem dia para acabar. Reuniam-se num bar e iniciavam a brincadeira com o compromisso só com o carnaval e nada mais. O navio que afundasse! Getúlio se lembra do Bloco do Lobo de Damião Gama, pai do amigo e grande memorialista macauense Chiquinho Gama. Lembra-se também do Bloco do Bode cujo hino dizia: “Pode, pode, pode, tem que ter muita coragem pra poder brincar no bode!” E lembra-se também da confusão formada quando um brincante fanho, que hoje a foniatria enquadra  no grupo da rinofonia, inventou de cantar a hino! Mais recentemente existiram outros blocos como o do Bode, de Manézinho, o bloco do Boi, cujo presidente perpétuo é Alfredo Mulatinho e o Bloco da Cobra. Do Bloco da Macaca ficou o bordão, cunhado pela veia sarcástica do macauense: “fulano é tão velho que brincou na macaca de Zé Badalo”. Na foto do Bloco da Macaca Getúlio só reconhece a pessoa que está dentro da macaca, é Benero, com certeza, diz Getúlio. Na foto é possível ver os instrumentos: violão, bandolim, trompete, pandeiro e maraca. À direita está um cidadão vestido de soldado que não sabemos se é fantasia ou se estava ali para manter a ordem. Manter a ordem era a única coisa impossível no carnaval daqueles tempos.

Pesquisa histórica: Depoimento do memorialista Getulio Teixeira; Príncipe Plebeu – uma biografia do poeta Othoniel Menezes, do escritor Claudio Galvão, edição da FAPERN e Dicionário da Imprensa no Rio Grande do Norte 1909-1987, do escritor Manoel Rodrigues de Melo, da Fundação José Augusto e Cortez Editora.

Da equipe do baú de Macau